Minas Gerais
Jeceaba registra três óbitos por febre maculosa e reforça alerta sobre áreas de risco
município interditou preventivamente espaços públicos e ampliou ações de vigilância e orientação
Publicado em 13/09/2026, por Ramon Santos.
Três vítimas eram moradoras da área urbana e tinham histórico de atividades próximas aos rios Camapuã e Paraopeba; município interditou preventivamente espaços públicos e ampliou ações de vigilância e orientação
A Prefeitura de Jeceaba confirmou, no domingo (6), a terceira morte por febre maculosa no município. O primeiro caso havia sido notificado em 2 de agosto. Os dois óbitos mais recentes ocorreram após internações entre os dias 2 e 4 de setembro.
Segundo informações divulgadas pelo município, as três vítimas residiam na área urbana de Jeceaba e tinham histórico de atividades nas proximidades dos rios Camapuã e Paraopeba. A informação coloca em evidência uma preocupação que ultrapassa os casos individuais: a necessidade de atenção da população que frequenta áreas próximas a rios, vegetação, locais de pesca, chácaras, sítios e outros ambientes onde possa existir a presença de carrapatos.
A situação levou a Prefeitura a reforçar as ações de vigilância e prevenção. Locais públicos próximos a possíveis focos de carrapatos foram interditados preventivamente, com restrição temporária de acesso. O município também iniciou ações educativas para orientar moradores sobre transmissão, sintomas e formas de prevenção.
A Vigilância em Saúde atua em conjunto com outras áreas da administração municipal, incluindo as secretarias de Obras, Agricultura e Meio Ambiente. A Prefeitura também informou ter solicitado a avaliação e a adoção das medidas cabíveis em relação a animais em situação de rua.
A Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais acompanha a situação por meio da Unidade Regional de Saúde de Barbacena. O Estado também mantém ações de monitoramento ambiental em áreas consideradas de risco, em parceria com a Fundação Ezequiel Dias (Funed) e os municípios.
O que explica a preocupação com a febre maculosa
A febre maculosa é uma doença infecciosa causada por bactérias do gênero Rickettsia e transmitida pela picada de carrapatos infectados. No Sudeste, a forma mais grave está associada principalmente à bactéria Rickettsia rickettsii.
O chamado carrapato-estrela pode estar associado a diferentes animais, entre eles capivaras, cavalos, cães e outros mamíferos. A presença desses animais em determinado ambiente, por si só, não significa que exista transmissão da doença. O risco está relacionado à presença de carrapatos infectados e à exposição das pessoas a esses vetores.
Também não existe transmissão da febre maculosa diretamente de uma pessoa para outra. A infecção ocorre quando um carrapato infectado permanece em contato com a pele e transmite a bactéria durante a alimentação.
Por isso, a orientação das autoridades de saúde é evitar o contato com carrapatos, principalmente em ambientes onde eles podem estar presentes.
Sintomas podem ser confundidos com outras doenças
Um dos fatores que tornam a doença especialmente preocupante é a dificuldade de reconhecer os sinais nos primeiros dias. Os sintomas podem se parecer com os de outras doenças infecciosas.
Entre os principais sinais estão:
• Febre;
• Dor de cabeça intensa;
• Dor muscular;
• Náuseas e vômitos;
• Diarreia e dor abdominal;
• Mal-estar;
• Manchas avermelhadas na pele, que podem surgir durante a evolução da doença.
Segundo o Ministério da Saúde, o diagnóstico precisa considerar os sintomas e o histórico epidemiológico do paciente, incluindo eventual permanência em áreas onde exista a possibilidade de contato com carrapatos.
Em uma situação como a de Jeceaba, informar ao profissional de saúde que houve permanência em áreas próximas a rios, matas, locais de pesca ou outros ambientes com possível presença de carrapatos pode ser uma informação importante para a avaliação médica.
O tratamento não deve esperar o resultado do exame
A febre maculosa exige atenção rápida. O Ministério da Saúde orienta que, diante de suspeita clínica, o tratamento seja iniciado imediatamente, mesmo antes da confirmação laboratorial. Isso ocorre porque os exames podem levar tempo e o atraso no início da terapia aumenta o risco de agravamento da doença.
O tratamento é feito com antibiótico específico e está disponível pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Por isso, moradores que apresentarem sintomas compatíveis depois de uma possível exposição a carrapatos devem procurar atendimento médico e relatar a possível exposição.
Minas Gerais já soma 11 mortes em 2026
A situação de Jeceaba ocorre em um cenário de atenção epidemiológica em Minas Gerais.
Segundo dados divulgados pela Secretaria de Estado de Saúde, até 27 de agosto de 2026 o Estado havia registrado 36 casos confirmados de febre maculosa e 11 mortes. Naquele balanço, Jeceaba aparecia com um óbito confirmado e outros dois em investigação.
O número de mortes em Minas Gerais até aquele momento já superava o total registrado durante todo o ano de 2025, quando foram confirmados 48 casos e sete óbitos. Em 2024, foram 95 casos e quatro mortes. Em 2023, Minas Gerais registrou 90 casos e 20 óbitos.
A SES-MG informou, entretanto, que o número de novos casos permanecia dentro do esperado para o período e que os casos em investigação continuavam sendo monitorados.
A doença também apresenta uma sazonalidade conhecida. Em Minas Gerais, os registros são mais frequentes durante o período de seca, especialmente entre abril e outubro.
Como reduzir o risco
Para quem precisa frequentar áreas onde pode haver carrapatos, a prevenção começa antes mesmo de sair de casa.
A Secretaria de Estado de Saúde recomenda:
• Usar roupas claras, que facilitam a identificação de carrapatos;
• Utilizar calças compridas, blusas de mangas compridas e calçados fechados;
• Usar meias compridas, preferencialmente claras;
• Aplicar repelente à base de icaridina;
• Evitar contato direto com vegetação alta;
• Examinar o corpo depois de permanecer em áreas de risco;
• Verificar também os animais de estimação após passeios em locais com possível presença de carrapatos;
• Retirar o carrapato rapidamente caso ele seja encontrado preso à pele;
• Usar uma pinça para fazer a retirada e evitar esmagar o animal com as unhas;
• Manter pastos, lotes e áreas públicas limpos;
• Utilizar carrapaticidas em animais, como cães, cavalos e bovinos, conforme orientação veterinária.
A orientação ganha importância para pescadores e frequentadores de áreas próximas aos rios Camapuã e Paraopeba. A Prefeitura de Jeceaba pede atenção redobrada nesses locais e recomenda que a população faça a verificação do corpo depois da exposição e procure atendimento de saúde diante do surgimento de sintomas.
Informação correta também faz parte da prevenção
O aumento das preocupações em uma cidade pequena pode favorecer a circulação de informações sem confirmação. Por isso, é importante diferenciar o que já foi oficialmente confirmado pelas autoridades sanitárias do que ainda está em investigação.
No caso de Jeceaba, a própria divulgação dos números passou por atualizações nos primeiros dias. Em 5 de setembro, a SES-MG informou oficialmente um óbito confirmado e dois em investigação. Posteriormente, a Prefeitura de Jeceaba confirmou a terceira morte, divulgando o novo cenário em 6 de setembro.
A recomendação para os moradores é objetiva: respeitar as interdições determinadas pelo município, evitar áreas consideradas de risco e procurar atendimento diante de sintomas compatíveis após possível contato com carrapatos.
Em caso de suspeita, a informação sobre onde a pessoa esteve pode ser tão importante quanto os próprios sintomas. Relatar ao profissional de saúde uma possível exposição a carrapatos pode contribuir para que a hipótese de febre maculosa seja considerada rapidamente.
O Ministério da Saúde reforçou, em nota técnica publicada em 8 de setembro de 2026, as orientações para vigilância e assistência durante o período de maior ocorrência da doença, destacando a importância da suspeita clínica e do início precoce do tratamento.
Em Jeceaba, diante das três mortes confirmadas pelo município, a prevenção passa agora pela combinação entre vigilância das autoridades, acesso rápido ao atendimento de saúde e cuidados individuais de quem frequenta áreas onde o carrapato pode estar presente.

