Elizabeti Felix

Terceiro Ciclo Econômico – Batata


Publicado em 06/06/2022, por Elizabeti Felix.

Quando os espanhóis chegaram às “Américas”, principalmente quando conquistaram o Peru em 1531, encontraram a batatinha e o milho que eram cultivados pelos incas. Provavelmente a introdução da batata na Europa deu-se primeiramente na Espanha por Pizarro*, tornando-se apresentação obrigatória nas mesas europeias. Sendo assim, suas lavouras foram incorporadas à paisagem rural, principalmente na Inglaterra e Holanda. Depois de conquistar a Europa, a batata iniciou um lento retorno ao continente de origem - a América do Sul - sem exibir, porém, a mesma popularidade ou a mesma qualidade conquistada no Velho Mundo.

 

Introdução da Cultura da Batata em Ouro Branco

 Primeiro ciclo do cultivo da batata 

Os principais introdutores da cultura da batata no município de Ouro Branco foram: O imigrante Português Álvaro José dos Santos e um comerciante de Ouro Preto, Sr. Diogo Mendes dos Reis. O Sr. Álvaro José dos Santos tinha experiência com a cultura da batata em seu país (Portugal). Após observação do clima e solo de Ouro Branco, constatou que a Solanácea poderia ser economicamente produtiva e rentável na região. Então, procurou o comerciante ouropretano Diogo Mendes dos Reis, avô do ilustre ourobranquense José Bernadino dos Reis, e propôs uma sociedade para a introdução e exploração da cultura da Batata. Animado com a possibilidade, Diogo imediatamente procurou importar de Portugal a batata em semente. O plantio dessa semente foi feito com orientação do português, não utilizando adubos e defensivos, o que proporcionou uma boa produtividade e rentabilidade. Quando o Sr. Álvaro José se mudou para Belo Horizonte, faltou orientação técnica, resultando na queda da produtividade e qualidade do produto. Porém, a cultura da batata já havia sido estabelecida, pois cada cidadão ourobranquense tornou-se um bataticultor.

Técnicas e variedades Segundo ciclo do cultivo da batata

Nessa época (1920-1960), usava-se o arado puxado a bois, estrume de bovinos e equinos, que as mulheres recolhiam nos pastos e vendiam a lata de 20 litros. Com o plantio sucessivo da variedade importada de Portugal, aconteceu a degenerescência, dando início ao cultivo de outras variedades nacionais, provenientes do sul do país: Lisa, Olho de Pomba, Tabuinha, Pelotas e outras. Nos anos 20, foram adquiridas variedades argentinas e chilenas, batatas forrageiras de grande tamanho, porém perecíveis. Na segunda metade dos anos 30, houve um novo período áureo da cultura da batata. Foi quando o agrônomo Moacyr Viana de Morais e seu irmão Jadir (na época proprietários da Fazenda Pé-do-Morro), comparando a grande potencialidade e a boa produtividade com a baixa tecnologia usada, dedicou-se ao estudo de novas técnicas para o plantio e concluíram que era viável a implementação de outras técnicas utilizadas para o cultivo da batata em Ouro Branco. Promoveram assim, a importação de sementes de batatas de variedade européias, além da importação de adubo de fabricação alemã. O resultado alcançado suplantou os métodos anteriores iniciados pelo conhecimento prático e elementar de Álvaro José dos Santos.

Terceiro ciclo do cultivo da batata 

A cultura de cereais, como a batata inglesa, constituiu umas das atividades econômicas fundamentais durante o século XX para Ouro Branco. O município chegou a ser o terceiro em produção de batatas em Minas Gerais. Em 1955, ocupou o primeiro lugar de produção agrícola no município. 53 Ouro Branco era distrito de Ouro Preto na década de 40 e já se destacava como um dos maiores produtores de batata do Estado. Foi então que o município passou economicamente a ser dependente da batatinha, iniciando assim o “3º Ciclo do cultivo da batata”, que foi o considerado o auge da produção. Na década de 50, quando Ouro Branco era estritamente voltado para a agricultura, sua população era de 4.300 habitantes.

No próximo artigo continuaremos com informações sobre o ciclo da batata, relatando a origem da Festa da Batata. Até a próxima!

 

Elizabeti Felix
Escritora e pesquisadora

Terapias alternativas: Terapeuta Reiki, Moxaterapia e Acupuntura abdominal Japonesa Mubun Dashin
Formação Acadêmica: Economia com especialização em Gestão Pública
Práticas integrativas: PIC em Medicina Tradicional Chinesa, plantas medicinais e fitoterápicos, cromoterapia.
Artes: Técnicas em douramento e restauração, modelagem e pintura envelhecida.                       

Estudante ABRACONESP - Academia Brasileira de Conscienciologia e Espiritualidade

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