Raquel Nogueira
O poder da mulher
Publicado em 02/09/2021, por Raquel Nogueira.
Quando Simone de Beauvoir, em O segundo sexo- 1949, disse que “não se nasce mulher, torna-se mulher”, expressou a ideia de desnaturalização do ser mulher. Este texto pretende ressaltar, a particularidade da mulher contemporânea, envolta por uma sociedade em transição onde fala-se de empoderamento feminino com força e resistência ao patriarcado. Mas diante desses fatos, surgem indagações: Será que as mulheres sabem a força que possuem? Todas entendem a luta das mulheres empoderadas do passado para termos o direito de votar, dirigir, trabalhar? Que muitas mulheres gritaram, para que hoje nós possamos ter voz?
O papel da mulher, por muito tempo em nossa sociedade, esteve ligado a categorias secundárias de pertencimentos e lugares. Esta posição pode ser percebida por meio dos discursos políticos e religiosos que a colocavam em um lugar de submissão, em que sempre devia obediência ao marido e tinha um lugar subalterno no quadro familiar. Este lugar de submissão ocupado pelas mulheres nos falava de impotência e insignificância.
Questiona-se então, qual o papel da mulher e da mãe na sociedade atual, já que as mulheres eternas mães-coitadas que obedeceram à vida toda ao desejo alheio, sendo primeiro o do pai, que desejava para ela um bom casamento, muitos filhos e uma vida de dedicação ao outro. Depois o marido e todas as obrigações femininas no contexto do casamento em seguida, obedecer aos desejos dos filhos e ao cuidado maternal eterno e imprescindível. Muitas mulheres então, não sabem se são estes mesmos os caminhos vivenciados na construção de sua identidade. Na maioria das vezes em prol do desejo do outro que a mulher vive.
Faz parte da vida das mulheres contemporâneas sua ativa participação nos cuidados da família e na administração da casa, bem como seu forte envolvimento em atividades produtivas fora do lar. Porém, ainda prevalecem dois estereótipos em relação às mães que trabalham, ora percebidas como pouco competentes e calorosas, não merecendo oportunidades de emprego, promoção ou educação adicional, ora vistas como competentes e frias. Assim, a representação social da maternidade se constitui como uma muralha, fazendo com que a mulher se culpe, pensando que se for uma boa profissional, pode não ser uma boa mãe. A análise de como as mulheres lidam com a multiplicidade de papéis, sugere a relevância que conferem ao ato de fazer escolhas sem pressões ou cobranças. Uma necessidade a ser reconhecida pela sociedade como um todo.
Face à indagação de Freud “Afinal, o que querem as mulheres?” Hoje o discurso é que queremos “poder”: poder ir e vir sem medo de assédio, poder usar qualquer roupa sem criar esteriótipos, queremos poder ter uma vida profissional ativa sem ser julgada sobre a criação dos filhos, poder ser sexualmente bem resolvida e não ter vergonha de falar sobre isso . E para esse empoderamento se concretizar depende de nós, MULHERES!
Empoderamento é sim uma palavra muito difícil de tecer um significado exclusivo. Empoderar é enaltecer, botar uma menina ou uma mulher no degrau de cima, contribuir para que conquistem seus espaços, seja de fala ou de trabalho. Não menos importante: enaltecer a si mesma. O empoderamento feminino, basicamente, se refere a dar poder para outras mulheres e cada mulher assumir seu poder individual. Com isso, há crescimento e fortalecimento do papel de todas na sociedade.
Diariamente, ou em um passado não tão distante, fechamos as portas para outras mulheres, justamente devido à ideia de ameaça, de vilãs de novela. Tudo começa em um labirinto, cheio de caminhos intrincados para que cada mulher perceba que empoderar uma à outra não é bobagem. Que se empoderar não é bobagem. É libertação e autoridade de si mesma, inspiração para que outras façam o mesmo. Há muito que se pode fazer para ajudar uma mulher a subir os degraus da vida. Ao empoderar uma, o efeito em cadeia se estende, impulsionando positivamente umas as outras, iremos longe.
Não deixe que o seu valor seja determinado pela opinião dos outros. A única pessoa que deve aprovar a sua vida é você mesma! E não julgue outras mulheres que não escolherem o mesmo caminho que você. Muitas mulheres se sentem desconfortáveis e até mesmo culpadas ao assumir atitudes mais assertivas. E mesmo com exemplos excepcionais de mulheres que fazem história no mundo nós, muitas vezes, deixamos a opinião alheia abalar nossa autoconfiança. Demonstrar segurança, decisão e firmeza nas atitudes e palavras não deve ser algo desconfortável para nós. Você precisa parar de se sentir culpada por querer respeito, reconhecimento e espaço. Infelizmente, boa parte das mulheres acreditam nas falácias e na visão de mundo que a sociedade impõe e acabam perpetuando comportamentos, pensamentos errôneos que não contribuem em nada com o alcance do empoderamento . E assim deve ser nosso pensamento:
-Mulheres não são culpadas por serem abusadas. A culpa é exclusivamente do abusador!
-Mulheres não precisam ganhar menos que seus maridos para fazê-los se sentir melhores e mais seguros.
-Pare de fazer piadas com a TPM ou com a “sensibilidade feminina” e não permita que façam na sua frente. Nós somos capazes de tomar decisões racionais e competentes independente do nosso ciclo hormonal.
Mulheres apoiando outras mulheres é que o realmente gera o empoderamente feminino.
E você está apoiando mulheres a sua volta? Finalizo esse texto com a seguinte reflexão de Rupi Kaur:
"Me levanto sobre o sacrifício
de um milhão de mulheres que vieram antes
e penso
o que é que eu faço
para tornar esta montanha mais alta para que as mulheres que vierem depois de mim
possam ver além.”
Raquel Noguueira Fisioterapeuta Pélvica Ginástica Intima
